segunda-feira, abril 10, 2006

Para ti, Fábio

Independentemente das actualizações mais ou menos frequentes deste espaço de comunhão e exaltação vitoriana, a vida da mais carismática e acarinhada instituição setubalense não tem parado e as alegrias vão-se sucedendo com regularidade, apesar de algumas contrariedades e momentos menos bons.

Quase 3 meses após as últimas eleições no Vitória Futebol Clube, a Direcção e SAD, numa iniciativa que se louva, retomaram o hábito da Direcção presidida por Jorge Goes, que a gerência de Chumbita Nunes esqueceu, e reuniram informalmente com os sócios do Clube no Fórum Luísa Tody, numa sessão de esclarecimento que contou com mais de 500 associados do Vitória.

Nota muito positiva para a exposição feita por um funcionário recém contratado para a área financeira, que de uma forma clara, transparente e sucinta traçou o panorama das finanças do grupo Vitória, que infelizmente, tal como sabemos e ouvimos há já vários anos, continuam sem motivos para fazer sorrir os associados e dirigentes, apesar de ser de destacar a existência de resultados positivos nos exercícios mais recentes, o que permite concluir que, ultrapassados e corrigidos os erros do passado, a instituição Vitória Futebol Clube é viável, proveitosa e apetecível, se gerida com competência e realismo.

Já que na área do futebol, como é evidente, já se percebeu que não é preciso mexer muito: a estrutura é coesa, competente e apresenta resultados, caberá então aos actuais dirigentes apresentar soluções e ideias que permitam sanear as debilitadas contas vitorianas.
E foi isso que o Presidente do Vitória fez na segunda parte da sessão.
Apresentou, auxiliado por diapositivos, o projecto imobiliário e do novo Estádio do Vitória, na zona actual do Estádio do Bonfim, que uma vez concretizado proporcionará a viabilidade financeira que o projecto“ Vitória Sec. XXI” não soube proporcionar ao Vitória.
Confesso que como vitoriano e setubalense fiquei emocionado com o que vi e ouvi. Na verdade, a beleza do desenho do novo Estádio, o enquadramento notável com a área circundante e a possibilidade de concretização do sonho de todos os vitorianos de manter o Estádio do Bonfim no Bonfim, são motivos mais do que suficientes, para que todos os setubalenses se unam e impeçam que, uma vez mais os poderes públicos, que supostamente deviam estar ao serviço das populações, coarctem ao Vitória de Setúbal e aos setubalenses as hipóteses de se desenvolverem em condições harmoniosas, integradas e sustentadas, permitindo que o Clube continue a servir a Cidade e esta a apoiar e fomentar o desenvolvimento do Vitória sadino.


Os meus Parabéns aos dirigentes, o meu agradecimento e o meu apoio pela apresentação e promessa de lutar até ás últimas forças pela concretização do sonho do Bonfim no Bonfim.

No que restou de sessão destaque para as intervenções correctas, sérias e apaixonadas dos sócios do Vitória que opinaram, apoiaram e interrogaram os dirigentes ( os que deram a cara, pois outros houve que se sentaram discretamente na plateia, outros que primaram pela ausência e ficámos a saber que houve um que até já se demitiu) sobre assuntos da vida diária do Vitória.

Nota menos positiva para o responsável pelo Marketing, que inicialmente estava na plateia, pois respondeu às perguntas colocadas de forma fugaz, contraditória, pouco clara e com uma arrogância que fica mal a um rapaz tão novo. Contudo apreciei a sua auto-confiança e convicção e espero sinceramente que os rumores, quanto a um possível auto benefício com alguns dos serviços prestados ou a prestar ao Vitória não sejam verdadeiros, pois fazê-lo às escondidas sob a capa da moralidade é pior do que os mais graves erros do anterior Presidente.

A sessão finalizou num clima de grande satisfação e esperança vitoriana num futuro melhor e com a convicção em todos de que apenas com os Vitorianos e os setubalenses unidos será possível levar avante um projecto que tem tanto de ambicioso como de merecido.

No dia seguinte e sob o olhar atento do Presidente do Vitória a equipa de andebol do Vitória foi ao Restelo lutar pelo continuidade em prova e fê-lo de forma exemplar, apesar de não ter conseguido os seus intentos. Depois da pesada derrota em Setúbal no Jogo 1, os pupilos de Jorge Rodrigues encararam com muita determinação e abnegação esta partida e proporcionaram ao composto Acácio Rosa um excelente e emotivo espectáculo de andebol, onde a continuidade do Vitória em prova foi impedida pelo braço do Guarda-redes do Belenenses no último segundo da partida, após remate do vitoriano internacional português Vladimir Bolotskikh.
A exibição da equipa do Vitória apesar da derrota tangencial encheu de orgulho as 3 dezenas de apoiantes que se deslocaram ao Restelo e deixam água na boca para os desafios que ainda restam esta época.
No próximo dia 22 de Abril o Vitória discutirá com o Águas Santas, no Jogo 1, o 5º e 6º posto do campeonato e no dia 25 de Abril deslocar-se-á a Leiria em jogo a contar para os oitavos de final da Taça de Portugal. Em caso de vitória, o jogo dos quartos de final, que permitirá o apuramento para a final four desta competição, realizar-se-á em Setúbal com o vencedor do encontro entre o S. Bernardo e o SL Benfica.



Após o primeiro dia de trabalho da semana ter sido encurtado para metade, chego ao bonito e quase cheio Estádio dos Arcos em Vila do Conde e nem tive tempo para assentar arraiais, já a turma local se adiantava no marcador.
Imitando a estratégia utilizada no ano passado e que bons resultados deu, a formação vila-condense entrou determinada a marcar o primeiro golo antes dos 5 minutos e passar 85 a defender com o autocarro que noutros tempos diziam que andava ao serviço do Vitória.
E foi o que sucedeu, Agostinho aos 3 minutos concluiu uma bonita e rápida jogada do ataque do Rio Ave e a partir daí o Vitória tomou conta do jogo, diga-se em abono da verdade sem carregar muito, mas controlando totalmente as operações e perseguindo sempre, umas vezes com mais determinação que outras, o tento da igualdade.
O treinador Hélio Sousa havia alertado para os perigos de uma possível descompressão, após o jogo com a Naval e sabia do que falava.
No fim do jogo assumiu que foi isso que aconteceu, repreendeu os seus jogadores e prometeu que o campeonato do Vitória ainda não está terminado e lançou o mote para o jogo com o Braga.

Ainda durante a semana passada, o mundo vitoriano foi abalado com a notícia do falecimento de um menino de 13 anos, Fábio Paixão, sócio e adepto apaixonado do Vitória, vítima de uma leucemia contra a qual lutava há já 5 anos.
Há notícias que não deviam existir e injustiças que jamais entenderemos. Aqui a homenagem mais que merecida a quem de certeza mereceria poder ver ainda muitos mais golos do Vitória.


E no primeiro jogo após o desaparecimento do Fábio, esta noite, os jogadores do Vitória, profundamente emocionados com o minuto de silêncio em homenagem ao amigo Fábio, que visitaram no IPO há uns meses atrás, imbuídos quiçá, do apoio extra de um menino que só gostava de ver o seu Vitória ganhar, arrancaram uma exibição deslumbrante, guerreira, talentosa, digna de figurar no álbum das memórias eternas do Vitória, uma vitória que foi inteirinha para o Fábio e três pontos que deixam intactas as aspirações do Vitória de continuar a lutar pelo 5º lugar do campeonato.

Perante uma bancada central descoberta a fervilhar de tranquilidade, a exibição de gala do Vitória e as inenarráveis asneiras do árbitro maçarico Nuno Afonso e seus auxiliares, empolgaram os adeptos e condimentaram ainda com mais emotividade esta bela partida de futebol.

Com um início deslumbrante, avassalador e descomplexado os comandados de Hélio Sousa assumiram o controlo e as despesas do jogo e fizeram-no bem, com classe, categoria e grande espírito de entreajuda, para gáudio dos exigentes aficionados sadinos, que viram a primeira grande jogada de perigo na sequência de um magnífico passe de desmarcação de Ricardo Chaves para Bruno Ribeiro, já na pequena área, proporcionar a primeira grande defesa da noite ao fiteiro e tresloucado Paulo Santos.

Momentos depois, numa fabulosa jogada do ataque do Vitória, após sucessivas combinações e tabelinhas entre os jogadores vitorianos, Carlitos marca o primeiro da noite e o auxiliar Carlos do Carmo obriga Nuno Afonso a cometer a primeira grande asneira da noite, invalidando o golo do Vitória, obtido de forma absolutamente regular.

O Braga tentava reagir como podia, mas a coesão da zona intermediária que estancava o jogo adversário e lançava e fazia fluir o ataque do Vitória, bem como a solidez dos rapazes da defensiva – já faltam adjectivos para qualificar a excelência do desempenho deste quarteto composto por Janício, Veríssimo, Auri e Adalto – impediam a turma arsenalista de incomodar o guarda-redes Rubinho.

Chegámos ao intervalo com aplausos fortíssimos para a equipa vitoriana e apupos e assobios para o trio de arbitragem. Em ambos os casos perfeitamente justificados.

A etapa complementar trouxe mais do mesmo: bom futebol, vontade de ambas as equipas, qualidade nos dois conjuntos e superioridade vitoriana frente a um Braga de milhões que este ano já foi candidato ao título, a um lugar directo na Champions, a um lugar indirecto na Champions e que depois desta noite em Setúbal será candidato a nada.

O golo que ditaria o destino do jogo, chegou aos 51 minutos e na sequência de uma jogada bastante ensaiada pela equipa vitoriana na era pós – Norton e que hoje finalmente deu os seus frutos. Na cobrança de um livre, Adalto toma balanço, finge rematar e dá um toque para Carlitos que de costas para a baliza junto à bola, rodopia e desfere um pontapé fulminante que fez a bola entrar com violência junto ao poste e deixando Paulo Santos pregado à verde relva do Bonfim.
Um golo monumental a selar uma exibição e um resultado dignos do mesmo adjectivo, confirmado pelo que restava de jogo, onde o Vitória não se retraiu e continuou, suportado nas fantásticas exibições de Ribeiro, Carlitos e especialmente Varela, a causar pânico junto à baliza de Paulo Santos e a deixar verdadeiramente de rastos os defesas bracarenses, até ao minuto 90.


Notas negativas: - para o speaker de serviço no som do Estádio, que não só não deu informação nenhuma relativa ao motivo do minuto de silêncio, como ainda chamou ao Vitória, Setúbal….
-Incompreensivelmente, na minha opinião, a salva de palmas que os sócios cativos dispensaram ao jogador do Braga Frechaut, produto da escola Vitória, que não só saiu do clube que o formou para representar um clube que o roubou ( título de juniores que o Vitória ganhou, mas em que o troféu foi entregue ao Boavista), como esta noite ainda tentou simular um penalty, roubando ele desta forma o clube que o formou e do qual se diz adepto.
-Exibição péssima do trio de arbitragem sempre em prejuízo do Vitória. Para além do golo mal anulado, não descortinou uma grande penalidade clara sobre Veríssimo, para além da quantidade infindável de faltas inventadas e do estúpido e exageradíssimo número de cartões amarelos mostrados à equipa do Vitória, que curiosamente, ou talvez não é simplesmente e pelo segundo ano consecutivo a equipa com menos amarelos de toda a competição e líder da tabela do Fair Play.

Esta noite o Vitória chegou aos 45 pontos e ainda restam 4 jornadas antes da desejada final do Jamor e quanto a mim agora que se começam a notar os sinais caracterizadores da mentalidade e estilo de jogo do novo treinador do Vitória, não restam dúvidas quanto à capacidade e competência da equipa técnica.
Herdando uma equipa destroçada psicologicamente, sem ordenados em dia, sem alguns dos titulares que entretanto abandonaram o clube, sem o treinador que iniciara a época e jogando um futebol eficaz, mas excessivamente defensivo e pouco atractivo, Hélio Sousa, auxiliado pelo saber empírico do grande Cardoso e pela, não me canso de o repetir, grande competência e capacidade do João de Deus, agarrou com as duas mãos o apelo e a oportunidade que lhe surgiu e de forma serena, gradual e inteligente foi implementando os seus métodos, as suas ideias e os seus conceitos de jogo. O resultado, da observação atenta dos últimos jogos do Vitória concluo-o facilmente, é um futebol de ataque, ofensivo, atraente, envolvente e acutilante, um futebol que alia o espectáculo aos resultados que no fundo é aquilo que em Setúbal apreciamos, contrastando claramente com o Vitória da primeira volta.
Ao senhor Luís Norton de Matos que dizia que não podia jogar futebol ofensivo porque não tinha jogadores para isso, Hélio Sousa e o Vitória de Setúbal souberam ultrapassar as dificuldades que esse ingrato gerou, deram-lhe uma chapada de luva branca e tornaram evidentes as limitações técnicas e conceptuais de quem em tempos, felizmente poucos, foi treinador do Vitória
Falta apenas referir que para além de grandes profissionais, estes membros da equipa técnica são todos grandes e efusivos vitorianos, sócios com várias dezenas de anos e com o resultado desta noite o Vitória garante oficialmente o direito desportivo de competir na próxima edição da Taça UEFA.

Que mais podemos pedir?
Sexta-feira é no Restelo, 17h15
Só temos de continuar a fazer a nossa parte.

Saudações Vitorianas
Spry

quinta-feira, março 30, 2006

Vamos fazer a nossa parte!!!



Terminada a euforia da conquista do direito de defender a Taça, conquistada o ano passado no Estádio Nacional, no próximo dia 14 de Maio, a equipa profissional de futebol do Vitória, ciente, independentemente do orçamento, de ter cumprido a obrigação de se ter apurado para a final da Taça, não entrou em festejos desmedidos, arregaçou as mangas e preparou com entusiasmo e muito rigor, a recepção à aflita Naval 1º de Maio da Figueira da Foz, que gratas recordações nos costuma deixar.

O resultado da seriedade e profissionalismo dos jogadores, dos novos métodos, estilo e concepção de jogo do treinador e da excelência do trabalho do preparador físico tiveram como consequência uma bela jornada de futebol vitoriano, ofensivo, alegre e rápido que teve como consequência 3-0 aos 20 minutos de jogo e um placard final de 4-1, meras 67 horas após a meia final de 120 minutos da passada Quinta-Feira.



Os sócios voltaram a marcar presença em número razoável, mas ainda longe daquilo que há bem poucos anos podíamos observar no Bonfim, onde as assistências médias rondavam os 15 mil espectadores.

Tal como aqui escrevi há uns dias,e uma vez que a permanência há muito que está garantida, é hoje evidente e notório que o 5º lugar está ainda perfeitamente ao alcance do Vitória,considero pois imperativo moral de jogadores, sócios e dirigentes, que todos nos unamos e mobilizemos não só para a final do próximo 14 de Maio, mas também para ajudarmos o Enorme Vitória Futebol Clube, no que ainda falta de campeonato, a conquistar uma classificação honrosa, feito histórico e grandioso, se tivermos em linha de conta as vicissitudes e potencial económico desta quase centenária instituição setubalense.

A presença em Vila do Conde na próxima Segunda - Feira é fundamental, bem sei que o horário não ajuda, mas os nossos esforços e sacrifícios pelo Vitória também nunca são demais.

Antes do jogo com a Naval 1º de Maio em futebol, os sócios do Vitória deslocaram-se pela manhã de Domingo em número razoável, ao pavilhão Antoine Velge, para assistirem, tudo assim o indiciava, a um excelente e emotivo jogo de andebol, que contava para o primeiro jogo do Playoff frente ao Belenenses.

A equipa do Vitória, com 3 ou 4 jogadores fundamentais no estaleiro há já alguns meses, foi incapaz de se opor ao conjunto do Restelo da mesma forma a que nos tinha habituado em jornadas anteriores.
Com pouca agressividade defensiva e muito azar à mistura os pupilos do Prof. Jorge Rodirgues, velha glória do andebol português e europeu, chegaram ao intervalo a perder por 6 golos e todas as tentativas de reduzir essa margem para números perigosos para o Belenenses, revelaram-se infrutíferas.
Apesar do apoio do público e das boas exibições de Pedro Morgado e Milan Stanic o Vitória perdeu o primeiro jogo do Playoff e necessita agora de vencer no Sábado, no Restelo, por qualquer diferença de golos, pode até ser por um, para obrigar a disputa da "negra" que se disputará no DOmingo também pelas 19 horas.

Fazendo jus à fama de apaixonados e aguerridos apoiantes do Vitória e da sua equipa de andebol, estou convicto e esperançado que o apoio verde e branco seja significativo, pelas 19horas no próximo Sábado, no Pavilhão Acácio Rosa, no Restelo.

Num momento em que a ausência de cartazes é assunto de conversa em Setúbal, junto a minha voz a este placard azul, dirigindo-o a todos os sócios e simpatizantes do Vitória: Todos ao Pavilhão do Belém!!!


Eu farei a minha parte.

Saudações Vitorianas
Spry

terça-feira, março 28, 2006

E lá vamos nós outra vez....


O Estádio do Bonfim, palco de tantas e tantas noites de glória verde e branca, viveu na passada Quinta - Feira, mais um episódio que perdurará por muitos e muitos anos na memória de todos os setubalenses e que será contado e transmitido, estou certo, a várias gerações futuras de vitorianos.


O dia começou cinzentão e chuvoso em Setúbal. Durante largas horas e de forma copiosa, a chuva não parou de cair. Os céus abençoavam desta forma a cidade e o palco da segunda meia final da Taça, para aquele que muitos já consideram o jogo do ano.

O cordão verde foi um sucesso, pleno de emoção e fervor vitoriano e constituiu sem sombra para qualquer dúvida o primeiro grande tónico e a primeira injecção suplementar de motivação para os jogadores de verde e branco trajados.


Confesso que as páginas da História, que nos diziam que sempre que o Vitória vence a Taça de Portugal, a defende no ano seguinte no mesmo palco, me deram alguma tranquilidade para encarar com serenidade e muita confiança os dias que antecederam o jogo com o Vitória de Guimarães. Com 95 anos de História não seria desta que iríamos deixar mal os nossos antepassados vitorianos e com muito sangue, suor e lágrimas lá estaremos no próximo dia 14 de Maio a viver a festa de uma das mais míticas competições do futebol à beira mar plantado e onde o Vitória por 10 vezes já garantiu o direito a disputá-la no palco da Final.

Rubinho, Janício, Auri, Veríssimo, Nandinho, Sandro, Ricardo Chaves, Binho, Bruno Ribeiro, Varela, Sougou, Adalto, Carlitos e Pedro Oliveira, são os nomes dos 14 jogadores que na noite de 23 de Março, tornaram possível planearmos novamente uma das mais bonitas festas do luso futebol.


Com Hélio Sousa "empurrado" para a bancada, coube a João de Deus e a Carlos Cardoso orientar e dirigir a equipa. E fizeram-no, se me permitem, de forma exemplar.
A experiência de Carlos Cardoso , homem de muitas finais e muitas noites de glória vividas enquanto jogador com o emblema vitoriano ao peito, aliada ao conhecimento científico, à competência técnica, à irreverência da idade e ao vitorianismo puro e genuíno do João de Deus, fizeram desta meia final a verdadeira final antecipada e proporcionaram ao discípulo do vitoriano Zé Mário uma verdadeira lição de táctica, de querer, de abnegação e de transcendência.

O ambiente em torno da partida era fenomenal e não fora a chuva, o horário, o dia da semana e a transmissão televisiva e seguramente o Estádio teria registado a enchente que a importância do jogo e o carácter dos profissionais do Vitória exigiriam. Não encheu, mas ficou muito bem composto.
A falange de apoio vimaranense, longe dos seis mil apregoados, não deixou de fazer inveja à esmagadora maioria dos clubes portugueses e constituiu sem dúvida um dos aliciantes deste jogo.
Os de Guimarães, há 18 anos arredados do palco do Jamor, onde por 4 vezes tentaram conquistar o troféu, sem sucesso, entraram no jogo determinados a iludir o mau comportamento desportivo no campeonato e a proporcionar aos seus adeptos a viagem até Oeiras no próximo 14 de Maio.


A primeira metade da partida foi algo monótona, com um domínio aparente, porque consentido, do Vitória de Guimarães que se aproximou mais vezes da baliza setubalense, sem no entanto criar verdadeiro perigo para a baliza guardada por Rubinho, excepção feita ao remate de Benachour à passagem da meia hora, a que o internacional brasileiro do VFC correspondeu com aquela que, em circunstâncias normais teria sido a defesa da noite.
O Vitória setubalense nunca se atemorizou e respondeu passados poucos minutos, com um pontapé fantástico de Sandro, a mais de 40 metros, a obrigar o guarda redes Nilson, a voar e com a ponta dos dedos ceder canto. Na sequência do canto, Auri ameaça pela primeira vez as redes contrárias, ao elevar-se com categoria e a cabecear com perigo, para a defesa do guardião vimaranense.



O intervalo chegava com o placard a assinalar um nulo que premiava o rigor e a consistência setubalense e penalizava a inoperância e o pouco discernimento dos comandados de Vítor Pontes.
No segundo tempo, Adalto - bravíssimo, exemplo de raça e galhardia - substituiu o tocado Nandinho - exibição discreta - e foi um dos impulsionadores de todo o futebol verde e branco.
O Vitória reentrou a todo o gás e nos minutos iniciais Sandro, após excelente jogada de Varela na esquerda, desperdiçou, já com Nilson batido, um golo de baliza escancarada, para desespero dos adeptos e do próprio capitão dos setubalenses.
Dado o mote no início da segunda parte, o resto da etapa complementar confirmou as suspeitas iniciais, o Vitória sadino entrava determinado a controlar a partida, assentar o jogo, aniquilar as ofensivas vimaranenses e desferir fulminantes contra ataques aproveitando a velocidade de Sougou e depois de Carlitos, sem grande sucesso em termos de oportunidades claras de golo, mas causando constantes sobressaltos ao Guimarães.
Com o jogo claramente dominado e controlado pelo Vitória, foram os de Guimarães, em cima do minuto 90 a causar pânico nas bancadas do Bonfim, porém o Senhor Auri, imperturbável, sereno, gigante, substituiu Rubinho e todos os seus companheiros de defesa e em cima da linha de golo evitou o que parecia o golo de Saganowski, para desespero agora de toda a superior sul do Bonfim.



E com o nulo a reflectir o equilíbrio entre os dois oponentes, chegámos ao prolongamento com um Vitória mais fresco fisicamente, mais agressivo, mais forte, mais equipa - não me canso uma vez mais de realçar o notável e espectacular trabalho do Prof. João de Deus ao longo dos últimos 2 anos - que deixava adivinhar que seria no prolongamento que os sadinos desfeririam, à semelhança da meia final do ano passado, o golpe mortal nas aspirações dos comandados de Vítor Pontes.

Com Pedro Oliveira a render Bruno Ribeiro ( notável gestão do plantel e cirúrgicas substituições) o Vitória de 1910 afirmava peremptório que não se intimidaria com a superioridade teórica do Vitória de 1922 e de forma abnegada lutou e sofreu para que a presença no Jamor voltasse a ser uma realidade um ano depois.
Apesar da emoção,a primeira parte do prolongamento continuou sem render golos e quem estava no Bonfim e os milhões que em casa, espalhados pelo globo, assistiam pela televisão preparavam-se para 15 minutos inesquecíveis. Pela incerteza, pelo drama, pela glória, pelas emoções vividas, pela contraditoriedade de estados de espírito vividos em tão curto espaço de tempo.




Aos 108 minutos, um grito de alegria de quase 4 mil espectadores, motivado pelo cabeceamento certeiro do polaco Saganowski ( na sequência de um livre inexistente que só Paraty descortinou), gelou os vitorianos e setubalenses e transportou-os para um pesadelo do qual muitos temiam já não acordar. Os mais desalentados, que serão talvez os que mais sofrem por amor ao clube, incapazes de prolongar o pesadelo durante os 10 minutos que ainda faltavam começavam a sair do estádio, sob o olhar, já com lágrimas, dos que continuavam a acalentar o sonho de repetir a presença na festa do Jamor.

O anti-jogo mesquinho, próprio dos pequenos e incapazes, protagonizado pelos jogadores do Guimarães depois de se terem posto em vantagem, somado aos gritos de vitória antecipada e aos insultos e provocações dos adeptos nortenhos tornaram ainda mais saborosos e justos os momentos épicos que os vitorianos de Setúbal ainda tinham para viver.

Nunca baixando os braços, apesar de incrédulos com o que lhes havia sucedido, os jogadores do Vitória sentindo o peso da responsabilidade e quiçá o aroma das sardinhas no Jamor ali tão perto, fizeram das tripas coração e lançaram-se desenfreadamente ao ataque, à excepção do guarda redes Rubinho, que ficou cá atrás de joelhos a meter uma cunha sabe-se lá a quem, e numa jogada de insistência do colectivo vitoriano Adalto lança para a direita da área onde o raçudo e esforçado Pedro Oliveira descobre uma nesga para cruzar para o interior da pequena área onde aparece qual D. Sebastião vindo da névoa para nos encher de esperança, o Senhor Auri a desferir um pontapé, que só não furou as redes da baliza porque são feitas da mesma forma que as da pesca.






A ansiedade, a tristeza, a frustação e a desilusão, que se apoderaram dos vitorianos de Setúbal ao minuto 108 do prolongamento, contrastando com a euforia e alegria dos vitorianos de Guimarães, deram lugar neste momento a um dos mais sofridos e desesperados gritos de golo alguma vez ouvidos no Bonfim, cujos décibeis ecoaram por toda a cidade, do forte de S. Filipe ao castelo de Palmela.
Nas bancadas novos e velhos, homens e mulheres até então desconhecidos abraçavam-se e saltavam numa comunhão de sentimentos e alegria que só o futebol e o sentimento vitoriano tornam possível compreender.

Há muito que não se sofria tanto no Bonfim ( e como se tem sofrido naquele estádio) e aquilo que nos esperava - desempate por penalties - já não acontecia na catedral setubalense, seguramente há mais de 10 anos e a última vez terá sido no extinto e saudoso torneio veraniego Costa Azul.

A abrir as hostilidades o gigante setubalense, Senhor Auri, dirigiu-se para a marca de penalidade confiante, sereno, no seu jeito algo desengonçado e sem dificuldades e com demasiada categoria para um defesa central colocou o Vitória em vantagem. O outro Vitória, logo no primeiro penalty desequilibrou a igualdade e por intermédio de Cléber, desperdiçou com a bola a embater estrondosamente na barra, para nova explosão de alegria nas bancadas do Bonfim.
Os menos avisados pelas euforias antes do tempo, já comemoravam e festejavam triunfantes, quando um dos melhores do Vitória, Adalto, ao pontapear o que lhe competia, atirou por cima da baliza para desespero de milhares no Bonfim e milhões no planeta. Moreno, pelo Guimarães restabeleceu a igualdade.
A vantagem setubalense foi novamente possível depois da execução superior de Pedro Oliveira .


O Guimarães tentaria através de Geromel empatar de novo o jogo, mas de forma notável Rubinho começava a pagar o favor que havia rogado de joelhos minutos antes e dava novamente motivos para sorrir aos vitorianos setubalenses, após a excelente defesa rubricada.

Quando a ninguém passava pela cabeça nova oferta setubalense, Binho ( mais uma grande exibição plena de entrega, dedicação e competência) imita o companheiro Adalto e volta a enviar a bola para perto do VIII Exercito magnificamente instalado na Superior Norte. Paíto, um dos melhores do Guimarães, volta a devolver a esperança aos minhotos ao converter superiormente o que lhe tocou e Carlitos, no quinto cumpre e marca e deixa o Minho e o Sado em suspenso, para o último penalty desta série.

De um lado Paulo Sérgio determinado a evitar que o jogo terminasse ali, do outro, Rubinho, que depois de ver as suas preces ouvidas sabia que tinha de pagar a factura pelos serviços prestados. Com uma postura fria e com uma querença e confiança inabaláveis, mirou olhos nos olhos o seu oponente, pensou: " Vou já acabar com isto" e voou para a defesa que o converteu no novo herói vitoriano, nos deu a todos o passaporte para o Jamor e permitiu que finalmente pudéssemos gritar, vibrar e saltar com lágrimas de alegria e felicidade, num momento único, inesquecível, de imensa satisfação.













São momentos de profunda emoção, de profundo sentimento vitoriano, onde nos lembramos do orgulho que temos em ser do Vitória, em que nos lembramos de todos os momentos em que foi difícil ser Vitória, em que recordamos todos os sacrifícios e privações que por Ele fazemos e em que voltamos a soluçar e a chorar por todos os vitorianos ausentes e os já desaparecidos que connosco partilharam tristezas e alegrias e que nos tornaram nos vitorianos que hoje somos e na pena que temos por hoje não poderem estar a nosso lado a vibrar com mais este brilhante e histórico feito do Enorme Vitória Futebol Clube.

Para os milhares de adeptos do Guimarães familiarizados com os conceitos de desportivismo e urbanidade, a minha palavra de apreço e admiração pelas comoventes manifestações de apoio ao clube, à semelhança do que os adeptos do VFC fazem há muitos e muitos anos.


Também nós setubalenses e vitorianos da geração sub-30, penámos e palmilhámos muito para hoje podermos estar a viver estes momentos, também nós há cerca de 7 ou 8 anos, numa noite invernosa e chuvosa de Quarta-feira, literalmente invadimos Aveiro, para cumprir o sonho de uma geração, e fomos impedidos de ir ao Jamor, não por qualquer infortúnio ou culpa própria, mas por uma arbitragem vergonhosa do mesmo senhor que no passado 29 de Maio foi obrigado a contemplar e admirar o Hélio e o Sandro a erguerem o caneco, mesmo tendo inventado o primeiro e único golo do Benfica, ao assinalar, ainda nem cinco minutos estavam cumpridosl, um penalty inexistente.

Para a História continuará a constar que sempre que o Enorme Vitória Futebol Clube ganha o troféu, repete no ano seguinte a presença na final. Diz-nos, porém a história também, que sempre que tal acontece o Vitória não repete o triunfo. Mas diz o povo e com razão e neste momento diz-se em Setúbal com toda a convicção que à terceira é de vez e que a derrota ( diz quem viu, que injusta e sem verdade desportiva) de 68 frente ao Porto será esquecida para dar lugar a nova enchente na Praça do Bocage para comemorar um feito inédito na História do Vitória e que muito poucos comemoraram: ganhar a Taça de Portugal duas vezes seguidas e carinhosamente cantar: És tão boa, és tão boa!!" Recordo apenas, para os fãs dos números e da estatística que a chegada ao Jamor, no que ao combate com primodivisionários diz respeito, foi feito sempre à custa de equipas às quais não tínhamos conseguido vencer para o campeonato: Boavista, Guimarães.... e agora segue-se o Porto, a quem este ano também ainda não ganhámos.

Se o nome do Estádio ainda parece não ser suficiente para que todos percebam que até ao lavar dos cestos é vindima, este jogo tal como outros decididos nos derradeiros momentos, é a prova de que no Vitória, tal como em todas as outras religiões conhecidas, é preciso devoção e fé. Fé na alma sadina, setubalense e vitoriana, Fé no emblema que orgulhosamente ostentamos, Fé nas riscas verde e brancas, Fé na dignidade dos profissionais vitorianos e Fé no apoio e na força que consecutivamente transmitimos aos que galharda e estoicamente envergam a camisola com o símbolo do nosso contentamento.



Saudações Vitorianas
Spry

quarta-feira, março 22, 2006

Vitória Sempre

Retomo, quase um ano após o último post, a actividade bloguística, sensivelmente na mesma altura da época em que redigi o até hoje, último escrito.

A incapacidade de transpor para a escrita a alegria e a felicidade que me invadiram após a meia-final contra o Boavista e a posterior vitória na final da Taça de Portugal, contra o campeão nacional, impediram-me de dar continuidade ao Treinador de Bancada, nos termos em que o idealizei.

Ficará para próxima oportunidade a crónica do 29 de Maio de 2005, seguramente o dia mais bonito e mais feliz da minha vida de vitoriano.

É pois a pouco mais de 24 horas de um dos mais importantes jogos de sempre na história do “maduro” Estádio do Bonfim , que curiosamente após 30 anos sem ser palco de uma meia final da Taça, volta a sê-lo em 2 anos consecutivos, que decidi dar continuidade ao primeiro espaço vitoriano da blogosfera, retomando-o um ano depois, curiosamente num momento desportivo bastante similar àquele que se verificava então.

Após a brilhante conquista da Taça de Portugal ,a equipa dos tostões já encantou e gelou um dos históricos palcos do futebol do Velho Continente, o Luigi Ferraris em Génova , conquistou a Super Copa Ibérica ao Bétis andaluz , que curiosamente meses mais tarde viria a ser a primeira a bater o Chelsea do vitoriano José Mourinho, já foi alvo de notícias humilhantes por todo o planeta numa crise perpetrada por quem se dizia líder da equipa técnica e que curiosamente teve a ajuda dos ditos vitorianos do plantel, já conquistou, e ainda faltam 7 jogos para o fim, o direito desportivo a participar na próxima edição do campeonato maior português, já conheceu 2 treinadores e até já elegeu novo Presidente.

Numa época bastante contraditória no que às emoções vitorianas dizem respeito, os profissionais do Vitória souberam encarnar na perfeição o espírito sadino e vitoriano: fazer das adversidades forças, fazer face às crises de cabeça erguida, honrar o emblema que envergam e partir à conquista da felicidade. Após a infelicidade, meramente casual, de não se ter eliminado a poderosa Samp, num ápice se conquistaram os pontos necessários a evitar sobressaltos no que à manutenção na Liga concerne, e se pôde apontar todas as baterias para o reencontro com a História, pois sempre que o Vitória ergueu o Troféu no Jamor, voltou para o defender no ano seguinte.

Neste momento, considero de fulcral e decisiva importância que os verdadeiros e bons vitorianos se concentrem única e exclusivamente no amor que nutrem pelo Clube e nos quão importantes podem ser todos os nossos gestos, comentários, acções e omissões, numa fase da vida do Vitória, que tal como no ano transacto, a euforia e o entusiasmo desportivo, se misturam e confundem com a apreensão e desconfiança quanto ao futuro e saúde financeira da Instituição


É bonita a nossa história de vitórias e troféus, mas é também bonita a nossa história de lutadores, de sobreviventes, de apaixonados, de fé numa cidade, numa região e numa Instituição que as personifica sublimadamente. É por isso e se queremos continuar a escrever páginas de cujos nossos netos e filhos se orgulharão, que temos neste momento, enquanto setubalenses, portugueses e vitorianos, de saber dar as mãos e contribuir para afirmar e ondear bem longe aquele que há muito se converteu no estandarte da cidade do Sado. E contribuir, hoje, é evangelizar, mobilizar, cativar e levar ao Bonfim na próxima Quinta – Feira 23/03 todos os que gostam e nutrem carinho pelo Vitória, é encher o Estádio, é transmitir para o relvado toda a força e todo o sentimento de gerações e gerações de vitorianos que tornaram possível que ainda hoje o nome Vitória Futebol Clube seja conhecido e lembrado por todo o mundo do futebol.

É missão de todos os vitorianos, e não apenas dos que circunstancialmente o dirigem, honrar, respeitar e defender o Clube.
Por isso, é importante que tenhamos consciência das nossas limitações a todos os níveis e que saibamos explorar e aproveitar as nossas virtudes, saibamos manter os vitorianos unidos e presentes, saibamos mobilizá-los, impreterivelmente para o jogo da próxima meia-final, mas também para os próximos jogos do campeonato, onde o Vitória, em meu entender, tem todas as condições, oxalá os sócios o percebam, para poder ter ainda uma palavra a dizer na luta pelo quinto lugar do campeonato.

Mas felizmente, nem só de futebol vive a eclética e quase centenária Instituição setubalense.


Também a única equipa profissional que é mesmo do Clube, a de andebol, vive momentos algo contraditórios. Num cenário de grande indefinição e intranquilidade quanto ao futuro da modalidade no Clube, urge mobilizar a família vitoriana para dois objectivos fundamentais:
- No próximo Domingo 26/03, pelas 11h45 é fundamental que todas as artérias da cidade desemboquem no Pavilhão Antoine Velge e que este se transforme no Inferno que em tempos todos conhecemos. A equipa de andebol do Vitória inicia a tentativa de conquistar pela primeira vez o título nacional, na primeira partida do playoff frente ao Belenenses, que este ano se assume como candidato ao título e que neste mesmo ano, já vergou perante os sadinos numa memorável tarde de andebol em que o Vitória se superiorizou por expressivos 34-22.
Só um pavilhão verdadeiramente infernal poderá aspirar a levar novamente de vencida a formação azul, mas saibam os vitorianos contribuir para os êxitos das suas equipas e estou certo que elas não os desapontarão.
- A presença de público em elevado número no Antoine Velge, poderá também ser a última oportunidade que os sócios do Vitória terão para dar um sinal à Direcção que querem andebol de primeiro nível em Setúbal na próxima e futuras temporadas. Será um péssimo sinal para uma Instituição como o Vitória, que no aproximar das comemorações do cinquentenário da secção de andebol, os seus dirigentes não tenham a sensibilidade necessária para apoiar e fomentar a mais antiga secção do Vitória em actividade.
Mais uma vez os sócios, como sempre, terão uma decisiva palavra a dizer e por isso , tal como amanhã no Bonfim, no Domingo ao final da manhã espero ver o Antoine Velge a ferver de emoção.

Hoje e sempre, Vitória Sempre
Saudações Vitorianas
Spry

segunda-feira, abril 18, 2005

Em dia... Tudo a postos para a Taça!!!

Não fui capaz e não tinha razão.
Não fui capaz em tempo útil de elaborar a crónica do jogo do Vitória na Choupana, com o primor e a qualidade que a excelência da exibição dos jogadores do Vitória mereciam. Por isso não a fiz.

E felizmente que não tive razão, quando defendi a substituição na liderança da equipa técnica do Vitória após o jogo com o Benfica. Felizmente que o meu clube é gerido por gente competente, confiante e que dirige o clube de dentro para fora, sem
claudicar perante os sinais de impaciência dos contestários.

Feliz e brilhantemente vencemos na Madeira.

Hoje ao escrever estas linhas, faltam 5 jogos para o final do campeonato e a manutenção está garantida. Nem sequer valerá a pena ir aos registos cibernauticos para recordar o quanto se disse sobre o alcançar deste objectivo, ao serem conhecidos os números do orçamento e as caras que lhe deram rosto.

Escrevo-vos estas linhas consumido pela ansiedade e pelo nervosismo que antecedem a possível concretização de um dos mais antigos sonhos da minha vida de vitoriano: superar as meias finais da Taça de portugal e marcar presença, no Estádio do Jamor, na primeira final da Taça da minha vida.

Mas recapitulemos ,em traços muito genéricos, o que têm sido as últimas semanas da vida vitoriana, no seu aspecto desportivo e no que às principais equipas diz respeito.

No andebol e depois do empate em Espinho, a equipa do Vitória, ontem, recebeu e venceu a formação do Belenenses por 29-27 e a uma jornada do final, garantiu já o apuramento para a 2ª fase integrada no grupo dos seis primeiros classificados, objectivo que na época passada acabou por escapar à formação verde e branca.

Foi um jogo emotivo, que o Vitória soube controlar e gerir, ultrapassando com categoria e personalidade um adversário que complicou muito a vitória do Vitória e que chegou a assustar nos minutos finais da partida. Madeira SAD, FC Porto, ABC, Águas Santas e Vitória aguardam que a última jornada forneça o último dos clubes apurados, que será um dos seguintes: Belenenses, Ginásio do Sul e Sporting de Espinho.
Ao mesmo tempo que parabenizamos os profissionais pelo alcançar do objectivo, aguardamos entusiasmados que a segunda fase deste campeonato confirme as expectativas daqueles que, tal como eu, depositam grandes esperanças na qualidade e competência dos andebolistas vitorianos.

Tal como no andebol, o principal objectivo a que os responsáveis da SAD se propuseram no início da temporada está, neste momento, também alcançado.
Nos dois jogos que se seguiram ao Benfica, o Vitória obteve os quatro pontos e respirou, sem comemorações ou festejos banais e ridículos, com alívio e sensação de dever cumprido pelo direito adquirido a disputar a próxima edição do principal
campeonato de futebol nacional.



No Funchal, a equipa do Vitória bailou como quis e fruto da inspiração colectiva e da magia e irreverência de Jorginho e Bruno Moraes obteve um resultado folgado, justo e inteiramente merecido. Chaves, Moraes e Jorginho, assistido por Hélio, foram as caras dos golos.
Depois de José Rachão e os seus jogadores, terem ultrapassado com distinção a prova de fogo que foi o jogo na Choupana frente ao Nacional, pela primeira vez dispondo de todo o plantel disponível e onde o Vitória realizou, sem favor nenhum, um dos melhores jogos e exibições de todo o campeonato, seguiu-se-lhe, no Bonfim, um Gil Vicente que, sem nada ter feito que o justificasse, levou daqui um ponto, injustamente. O infortúnio, continua a perseguir o Vitória neste final de temporada e não permite a Rachão fazer dois jogos seguidos com o mesmo onze: ainda não tinham decorrido 90 segundos da partida frente ao Gil Vicente já Bruno Moraes, um dos pilares deste Vitória, se lesionava com tanta gravidade que o resto da época vivê-la-à recuperando da cirurgia a que já foi submetido.

Meyong, que substituiu o avançado brasileiro, desperdiçou a primeira grande penalidade ao serviço do Vitória e todos os remates dos dianteiros sadinos viram o mar de pernas dos defesas minhotos susterem com maior ou menor dificuldade as diversas tentativas ,dos comandados de Rachão, em inaugurar o marcador.


Ontem, a equipa do Vitória, em vésperas da recepção ao Boavista, que pode marcar a história do clube dos últimos trinta anos, visitou pela primeira vez o Estádio do Dragão e com uma equipa desprovida, não tanto como eu a poria, de alguns dos habituais titulares, ainda deu para incomodar o adversário, inaugurar o marcador, deixar os campeões do mundo nervosos e ansiosos até final e sobretudo para honrar e dignificar a camisola e o emblema do Vitória.

O resultado de 2-1 favorável ao Porto traduz a superioridade da equipa azul e branca mas, estou convencido, que sem a ajuda do árbitro, Couceiro e o seu Porto teriam de ir buscar três pontos a outro campo. Meyong, assistido por Pedro Oliveira, faz o primeiro e mais bonito golo da partida, meio milímetro fora de jogo. O fiscal de linha, que de certeza absoluta teve dúvidas ( eu em slow-motion creio até, que o lance é legal), fez aquilo a que as regras o obrigam, beneficiou o ataque. Alguém já explicou isto ao treinador do Porto?

Lamentável que o ex-treinador do Vitória, depois de um jogo em que é objectiva e descaradamente beneficiado pelo árbitro, inicie a sua conferência de imprensa com críticas ao juiz.
Compreendo que é um profissional, que tem de defender a instituição que representa, tem de atirar a pressão para cima dos outros, entendo tudo isso. Porém não creio que para defender os seus interesses e os da sua entidade patronal precise de
atingir e injustiçar quem sempre o respeitou, admirou e o elogia. Pode ter sido muito bom quando cá esteve e foi, deixou saudades e portas abertas, mas depois destas declarações faço-lhe um traço por cima.

É pois num clima de serenidade competitiva, no que ao campeonato diz respeito, que a cidade e o clube se preparam para receber a primeira meia final da Taça no Bonfim em 30 anos.
Saibamos todos ter a inteligência e o sentido de vitorianismo apurados e seguramente que no final da época no Jamor estaremos orgulhosos e agradecidos a quem nos proporcionará o concretizar do sonho de uma geração.

Saudações Vitorianas
Spry

quarta-feira, março 30, 2005

Nem só por futebol palpitam os corações dos sócios do Vitória de Setúbal.
No fim de semana do clássico Vitória-Benfica, Domingo, ocorreu no Pavilhão do Vitória, o sempre apetecido derby regional em andebol Vitória-Ginásio Clube do Sul.
Desiludidos com o resultado da véspera, em futebol, os adeptos e sócios vitorianos, ávidos e ansiosos por um triunfo das suas cores, voltaram a acorrer em grande número ao Antoine Velge e voltaram a presenciar mais um excelente, equilibrado e emotivo jogo de andebol, em que o Vitória se superiorizou à sua congénere almadense vencendo por 25-23.
Hoje, a equipa desloca-se ao Minho, onde defrontará pelas 21h00 a equipa do Manabola, que ocupa o último lugar da tabela.
Não ocorrendo surpresas ou percalços, o Vitória vencerá com naturalidade, manterá o 5º lugar e poderá preparar com confiança e tranquilidade a recepção ao Madeira SAD, ao fim da tarde da próxima Quartafeira 6 de Abril.
Cá estaremos, inquietos, esperando a notícia dos números da vitória do Vitória.
Spry
Decorridos já alguns dias e muitos jogos de futebol na TV desde o jogo Vitória-Benfica, de má memória para quem sente e vive o clube como os sócios do Vitória de Setúbal, aproxima-se já, com as aborrecidas e pouco empolgantes exibições das selecções como aperitivo, o fim de semana que assinala a viagem dos verde e brancos à Choupana para defrontar a equipa do Nacional da Madeira, que luta ainda pela defesa do lugar europeu atingido na época passada.

Na Choupana, em função do resultado, e no que à equipa do Vitória diz respeito, iremos, seguramente, aquilatar e prever, com facilidade, o que será o resto da época para a equipa de futebol do Vitória.
Se o Vitória regressar com pontos da Madeira, José Rachão garantirá, até ao fim da época o lugar de treinador principal da equipa. Pontos na Madeira e a vitória, que tenho a certeza está garantida pela fúria e sede de revanche dos jogadores depois do jogo da 1ª volta, frente ao Gil Vicente serão argumentos suficientes, tendo em linha de conta aquilo que tem sido o discurso oficial da administração da SAD sadina, para o Presidente Chumbita Nunes segurar o putativo pedagogo montijense até ao fim de Maio.

No caso, independentemente da exibição, de a equipa do Vitória regressar de mão vazias da visita ao Funchal, os sucessivos votos de confiança que ouvimos a administração da SAD tecer a Rachão ao longo desta semana, não deixam dúvidas sobre o que acontecerá: a recepção ao Gil Vicente já não terá o ex-treinador do Torreense, como anfitrião.

Uma vitória na Choupana ou até mesmo um empate, estou convicto, catapultarão definitivamente a equipa para a perspectivada permanência no escalão máximo do futebol português. É certo que sem alegria entre os adeptos, e ao que julgo saber entre os jogadores, com um clima de alguma descrença e desconfiança, que se manterá irreversível, no que ao treinador diz respeito e que poderá, ainda que não o creia, pesar de forma negativamente decisiva na meia final da Taça.
A derrota, empurrará, irremediavelmente julgo, para as jornadas finais a decisão relativa ao carimbar do passaporte para a SuperLiga 2005/2006. E neste caso, confirmar-se-ão como correctas as opiniões, entre as quais incluí a minha, que apontavam a semana transacta como a ideal, tendo em conta os superiores interesses do Vitória Futebol Clube, para a substituição do líder da equipa técnica que, verificando-se uma eventual derrota na Choupana, necessariamente ocorrerá.

Como sou dos que acho, desde sempre, que o treinador do Vitória é o melhor do mundo, pelo respeito que tal estatuto me merece, recuso-me a comentar e a perspectivar cenários para a eventualidade de perdermos o próximo jogo, pois, nesta mesma linha de raciocínio, sou dos que se recusa a aceitar antecipadamente que o Vitória não vai ganhar.
O regresso de Nandinho, cuja saída da equipa coincidiu com o período menos bom do grupo,é certamente um bom augúrio para o desfecho que todos esperamos.

Independentemente do que o futuro próximo nos reserva fica apenas a certeza que, no Domingo, entrarei na Choupana com a mesma fé, convicção e crença, de sempre, nas potencialidades e capacidades dos que carregam nos ombros o peso do emblema do VFC e que sairei do estádio com a garantia de que o futuro próximo, seja devido ao somar de pontos, seja devido à onda de entusiasmo e de renovar de esperanças num desfecho de época memorável que a mudança de treinador originará, se nos afigurará bem menos ensombrado do que hoje poderá parecer.

Spry

domingo, março 20, 2005

Vitória com estratégia rachada

O Vitória - Benfica começou cedo na cidade de Setúbal.
Pela manhã, entre uma ginja no Tóino e a escolha do tamboril e pata-roxa para a caldeirada do almoço, foi perceptível o entusiasmo e a fézada que reinavam entre os profissionais do Mercado do Livramento.

Junto ao estádio, os vendedores ambulantes optaram por montar o "estamine" ainda antes das oito e meia da manhã.
Ao meio-dia dezenas de automóveis, ornamentados com cachecóis e bandeiras vermelhas, invadiam a cidade e deixaram adivinhar dia em cheio para os restaurantes setubalenses.

Às 21h00, quando entrei no estádio, já o Bonfim, praticamente cheio, estava em festa, engalanado para receber o líder do campeonato.
O ambiente era o ideal para os grandes clássicos do futebol português, estádio cheio, público vibrante e entusiasta, bons intérpretes no palco e centenas de VIPs, muitos deles bêbados e provocadores, espalhados pelos camarotes.

Zé Rachão e a equipa do Vitória, honra lhes seja feita, entraram no jogo dispostos, intencionados e determinados a conquistar mais três pontos caseiros. Ilação inferível, quer da constituição da equipa, que jogou com o seu trio ofensivo habitual ( Jorginho, Moraes e Meyong), quer das declarações do treinador do Vitória, antes do início do encontro, que revelou estar a jogar para ganhar, quer da atitude e exibição da equipa vitoriana, sobretudo no primeiro quarto de hora do jogo.

Palavras leva-las o vento.

O jogo começou vivo e animado, sobretudo por responsabilidade directa de Jorginho e Meyong, que aos 20 segundos de jogo, já punham de pantanas a defensiva benfiquista.
O primeiro lance, de potencial importância para o desenrolar da partida, dá-se ao minuto 3, quando Bruno Moraes, inadvertidamente, tomba sobre as costelas de Petit e obriga Giovanni Trapattoni, velha raposa, que inscreveu pela primeira vez, no seu brilhante currículo, uma vitória no Bonfim, à primeira alteração forçada do jogo.

Aos seis minutos, na sequência do primeiro canto da partida, Auri, sobe na pequena área sózinho e cabeceia à vontade... para a linha lateral!!! Gorava-se assim a primeira grande oportunidade de golo do Vitória e do jogo.
Dois minutos depois, o melhor jogador da SuperLiga, o génio brasileiro Jorginho, num rasgo de inspiração, desfere um remate fabuloso, com conta, peso e medida, a uns metros da entrada da área, que só não dá golo, porque Quim, guarda-redes do Benfica, corresponde à genialidade do artista vitoriano com uma defesa de grande categoria, proporcionando o primeiro grande momento de futebol no Bonfim e o segundo canto da partida.
Aos 9m, o Vitória conquistava o terceiro canto, após nova investida do ataque vitoriano e deixava atarantada e intranquila a defensiva encarnada, como Ricardo Rocha o revelava, com o seu anti-desportivismo.

Nesta altura só dava Vitória, e dois minutos volvidos Manuel José, tabela com Jorginho, remata, em mais uma tentativa de inaugurar o marcador e conquista o 4º canto da partida. O mesmo jogador bate o canto na direcção de Hugo Alcântara que, ganha espaço e posição para rematar e proporciona aos adeptos vitorianos a primeira sensação de golo, com um pontapé que embate nas malhas laterais, com Quim já batido.
Os adeptos de verde e branco trajados gostavam, aplaudiam e gritavam Vitória!Vitória!Vitória!.

Os jogadores correspondiam e lutavam, corriam, pressionavam a equipa contrária.

O Benfica, causa a primeira sensação de perigo, com um ataque do lado esquerdo, num cruzamento aparentemente inofensivo de Dos Santos que embate na barra da baliza guardada pelo jovem Paulo Ribeiro.
No minuto seguinte, o quinze, o primeiro lance polémico deste jogo. Geovanni isola-se, em posição legal, ultrapassa Paulo Ribeiro e é derrubado, ilegalmente, pelo guardião sadino. João Villas Boas, manda jogar e erra.
Na resposta, o Vitória volta a ameaçar a baliza benfiquista, Meyong troca os olhos a Luisão, dá-lhe um nó fantástico, cruza para Bruno Moraes, e o árbitro compensa o penalty não assinalado ao SLB, marcando falta de Moraes sobre Ricardo Rocha, quando os jogadores estão um metro separados, não existindo o mínimo contacto.

Aos 27m, o lance capital da partida. Veríssimo é bem expulso por João Villas Boas, ao cometer falta sobre Simão, após uma enorme displicência perde posição e vê-se forçado a impedir a progressão do internacional português, que seguia isolado para a baliza, com um puxão que não deixou margem para dúvidas, deixando o Vitória em apuros.

O recém contratado, pelo F.C.Porto, guarda-redes Paulo Ribeiro, dá o primeiro sinal de intranquilidade aos 34m, quando sai mal da baliza, após a cobrança de um canto e permite a Nuno Assis cabecear a rasar a barra, iludindo os adeptos do Benfica que já gritavam golo.

Foi um Vitória lutador, emotivo, com sangue na guelra, aquele a que assistimos no primeiro tempo, contra um Benfica, à imagem e semelhança do seu treinador, pragmático, frio e calculista.
A cinco minutos do intervalo, em mais uma jogada do ataque vitoriano, o tridente ofensivo volta a causar perigo, com um lance que culmina com um cabeceamento de Bruno Moraes, que por milagre e de forma escandalosa não inaugura o marcador.
No minuto seguinte, o menino benfiquista a quem um dia José Mourinho qualificou como de "granda máquina" desfere um remate traiçoeiro, que dá golo para o Benfica, após Paulo Ribeiro, com um frango monumental, se revelar impotente para travar a trajectória do esférico.

Ao intervalo a substituição operada por José Rachão, Binho entra para o lugar de Meyong, suscitou receios e dúvidas, nalguns treinadores de bancada, que esperavam e desejavam um Vitória afirmativo, determinado, ainda que reduzido a 10, acutilante e apostado em inverter o resultado negativo, entre os quais me incluo.
Aos 15 segundos de jogo o Benfica conquista o primeiro canto e dá o primeiro sinal do que se seguiria. Num espaço de 9 minutos, fruto da exclusividade do futebol ofensivo, o Benfica conquista seis pontapés de canto.

Valdemar Duarte, jornalista, comentador e relatador, da transmissão TVI, empresa de comunicação social , que representa o expoente máximo da incompetência e parcialidade da informação, nomeadamente desportiva, tem uma tirada, que quando proferida, aos 8 minutos, se ouvida em directo poderia ser interpretada de forma desrespeitosa e insultuosa para o Vitória e para os vitorianos, mas que infelizmente reproduziu com verdade o real estado da equipa verde e branca: " O Setúbal encostou às cordas". Quanto à designação incorrecta do nome do clube apenas, me compete registar a ignorância e/ou má fé do jornalista, ao chamar o clube pelo nome da cidade, relativamente ao knock-out insinuado, o desenrolar da segunda parte, confirmou o pior.

A etapa complementar da equipa de Rachão, confirmou algumas das críticas e opiniões negativas, relativamente à contratação do então treinador do Torreense, nomeadamente as que afirmavam que a escolha de um mister da "velha-guarda", com uma filosofia e métodos assentes no gerir 0-0, esperar para ver, só ir pela certa, conceder a iniciativa ao adversário, jogar para destruir, não se adequaria a este plantel jovem, inteligente e ambicioso do Vitória.

Os minutos passavam e o Vitória das poucas vezes que passava com a bola a linha de meio campo, rara, mas muito raramente chegava à area contrária. O Benfica, por seu turno, instalado, tranquilamente no meio campo vitoriano, chegava com frequência à área do Vitória e em variadíssimas ocasiões esteve perto de marcar.
Óbvia e naturalmente, aos dezoito minutos, Geovanni, feliz, remata contra um adversário, beneficia da mudança de trajectória que trai o guardião sadino e factura o segundo para o Benfica, para gáudio dos milhares de benfiquistas presentes nas bancadas do Bonfim e de Geovanni Trapattoni e Álvaro Magalhães que , curiosamente, comemoravam , de forma efusiva, de costas voltadas um para o outro.

O Vitória que até aqui se tinha, exasperantemente, limitado a ver jogar, baixou ainda mais os braços e nem a substituição que Rachão de imediato efectuou, alterando o esquema para como no início do jogo, entra Zé Rui, para o lugar do exausto Ricardo Chaves, cambiou o sentido e o desenrolar do jogo.
Apesar de nesse momento, fruto de uma iniciativa do lado esquerdo de Ribeiro, Bruno Moraes tenha estado perto de marcar, porém Luisão impediu e cortou para canto.

Rachão ao minuto 73, por lesão de Manuel José, forçado a alterar, ao invés de optar por uma solução ofensiva que visasse assumir o jogo até ao fim, colocou um defesa direito no seu lugar - Ricardo Pessoa e ouviu pela primeira vez os assobios de uma massa adepta humilhada pela falta de luta e entrega na segunda parte, quer dos jogadores, quer do treinador.

O jogo evoluía, caminhava para o final e o Benfica continuava a gerir o jogo como queria, trocando e fluindo tranquilamente a bola perante o olhar apático e expectante dos jogadores do Vitória, que se limitavam a impedir a possibilidade do Benfica fazer o três zero, como José Rachão admitia, em declarações após o jogo: “ Se não fechássemos os caminhos da baliza poderíamos ter sofrido muitos golos”, admitindo que se tinha limitado a preocupar-se em não sofrer muitos golos do que a lutar pela vitória.

Não creio que seja aceitável que, qualquer que seja o adversário, no Bonfim, a equipa do Vitória entre em campo determinada em conquistar apenas o mal menor e a gerir derrotas por margens minímas. Não creio que seja aceitável, que, mesmo em inferioridade numérica, a equipa do Vitória desista de lutar pelos três pontos antes do apito final. Não aceito que o treinador José Rachão, de preferência clubística benfiquista, se resigne com o 0-1 e que, com Pedro Oliveira, Hélio e Igor no banco, opte por fazer entrar, depois do 0-2, Zé Rui, jogador do Benfica, que já não engana ninguém que tenha acompanhado a sua progressão no Vitória, à excepção deste treinador. Não gostei, nem creio que seja aceitável que o vitorianos no Bonfim sejam obrigados a assistir a manifestações de lampionagem, como a presença da águia Vitória na pista do Bonfim.
Com tantas calúnias sobre uma inventada e falsa aliança privilegiada com o FC Porto, aquilo a que assistimos hoje, com excepção dos primeiros quarenta e cinco minutos, foi um Vitória demasiado macio e conformado contra o clube que Eusébio representou.

Numa exibição sofrível da equipa vitoriana, merecem destaque positivo o inconformismo de Jorginho e a imponência de Hugo Alcântara.
O destaque negativo não pode deixar de ir para o treinador do Vitória, que não soube nem quis motivar e inflamar o ânimo dos atletas vitorianos, de forma a virar o resultado negativo que se registava ao intervalo.

O apelo, no final deste jogo, de má memória para a família vitoriana, vai para o Presidente e Conselho de Administração da SAD do VFC: demonstrem a inteligência de quem sabe reconhecer um erro e corrijam o rumo traçado com a chegada do treinador do Montijo.
O Campeonato recomeça dentro de duas semanas e ainda é possível, tendo em conta o que ainda falta de época, impedir a criação de um clima de descrença entre os jogadores, sócios, adeptos e dirigentes que, notória e claramente se instalou desde o recomeço da segunda parte e que reduzirá drasticamente as possibilidades de sucesso que o que falta de época ainda permite fazer sonhar.

Que os conselhos dados ontem à noite por José Mourinho a Chumbita Nunes, num conhecido restaurante setubalense, venham rapidamente a surtir efeito, são os meus sinceros desejos.

Saudações Vitorianas
Spry

quinta-feira, março 17, 2005

Um jogo especial

A semana que antecede um Vitória-Benfica é sempre especial.
Os sócios do Vitória e os setubalenses, de um modo geral, anseiam com particular fervor e emoção a disputa deste clássico do futebol português, que tem hora e local marcados para as 21h15 do próximo Sábado no Bonfim.
Existirão, fundamentalmente, duas ordens de razões para que apenas um jogo de futebol desperte tanta expectativa e entusiasmo entre as hostes sadinas como este e que tanta ambição de vitória gera entre os vitorianos.
Por um lado, vencer ao Benfica, reconhecendo o seu papel de de uma das principais, talvez a principal, historicamente falando, instituição desportiva portuguesa, é gerador de prestígio e afirmação da identidade vitoriana e uma vitória sobre o Benfica é sem dúvida excelente veículo de promoção e divulgação do nome e marca Vitória no país e além-fronteiras.

Mas ter a aportunidade de ombrear e lutar pela vitória com o Benfica é também a oportunidade de derrotar a comunicação social portuguesa, pela sua tacanhez e parcialidade, que teima em continuar a transformar um campeonato de 18 numa Liga a 3 com 15 figurantes. É ter a oportunidade de combater a comunicação social portuguesa comprometida e facciosa que insiste em continuar a fechar e cercear os horizontes futebolístico/clubísticos portugueses, asfixiando e impedido o crescimento e desenvolvimento do nosso principal campeonato de futebol. Vencer o Benfica é também ganhar mais uma batalha pelo direito à existência e à divulgação isenta do campeonato, é ganhar batalhas pela reivindicação de direitos tão simples como o do Vitória a ser tratado pelo nome correcto e não exclusivamente pelo nome da cidade. É ter a possibilidade de enfrentar e vencer orçamentos 30 e 40 vezes superiores, deixando os responsáveis pelo desbaratar de tanto dinheiro sem resultados garantidos, estonteados com a própria incompetência. Vencer ao Benfica é também permitir que as crianças setubalenses sintam orgulho e honra em dizer aos quatro ventos que não são do Benfica, nem do Porto, nem do Sporting, mas sim que são do Vitória, porque o Vitória pode não ser grande, mas é seguramente Enorme.




Mas a semana do Vitória-Benfica é também a semana em que trocamos palpites de vitória antecipada com os nossos amigos benfiquistas, é a semana das provocações, das conversas de café exaltadas, das apostas precipitadas. É normalmente nesta semana que se recordam jogos de outros tempos, de outros eras, com outros artistas, outros horários...e em que por vezes se recordam coisas que não existiram ou onde certas bebedeiras cheias de dor de cotovelo criam tradições inexistentes. Um destes exemplos é aquela história criada e inventada por benfiquistas cheios de azia, e da qual o jornal oficial do Benfica, vulgo ABOLA, chegou a fazer eco, segundo a qual cada vez que o Vitória ganha ao Benfica desce de divisão.

Nada melhor que uma semana de Vitória-Benfica para desmistificar certas "tradições" com a verdade. E a verdade da história e dos números diz-nos que , excepcionada a época90/91 - em que o Vitória venceu o SLB e desceu de divisão - nunca, em nenhum outro momento da história, o Vitória venceu o Benfica e desceu de divisão. Como não há regra sem excepção, é obvio e evidente que a época 90/91 constitui a excepção que confirma a regra. E convém também lembrar, os entusiasmados benfiquistas que se preparam para lotar o Bonfim, que a última vez que o Benfica se tornou campeão, saiu de Setúbal com um resultado desfavorável de 5-2. Nesse ano o Vitória foi 6º.


Não creio, que após as últimas três visitas dos encarnados ao Bonfim sem derrotas, possam passar incólumes desta vez.
Sábado à noite teremos o privilégio de assistir a um jogo, que adivinho, vai ficar para a história e deixar gratas recordações a todos os vitorianos. Com a classe e o talento dos nossos craques, com o apoio e o entusiasmo dos nossos adeptos, vamos uma vez mais bater o pé ao gigante da capital e continuar a trilhar o caminho da esperança, que veste de verde.

Saudações Vitorianas
Spry

segunda-feira, março 14, 2005

Não vai, nem racha

No início da análise ao jogo de Guimarães, onde o Vitória setubalense perdeu por 3-1, não posso deixar de referir, que se cumpriu o sexto jogo da era José Rachão e o Vitória de Setúbal continua sem vencer.

A escolha de Rachão não gerou unanimidade e muito menos entusiasmo entre as hostes sadinas. Confesso que ao saber da escolha do Presidente do Vitória, fiquei num estado algures entre a estupefacção e a incredulidade.
Contudo e das análises que faço cá da bancada, ao contrário de quase todas as opiniões de sócios do Vitória que conheço, e sem ter o apoio dos resultados do meu lado, arrisco dizer que, sinceramente Rachão até me parece saber da poda.
Teve a inteligência suficiente, diga-se que também não era precisa muita, para perceber que a melhor táctica era manter a estrutura e os conceitos que se praticavam quando cá chegou e foi neste período mais condicionado por lesões e impedimentos, que em todo o resto de época. Teve a hombridade e a humildade de responsabilizar exclusivamente os seus atletas pela vitória nos quartos de final da Taça. Ao invés, após a primeira derrota, assumiu toda a responsabilidade pelo resultado negativo. Parece-me que lê de forma correcta e rápida os desenvolvimentos no terreno de jogo, o que lhe permite actuar e corrigir em tempo útil o que está menos bem. E tem até tido a felicidade de fazer saltar do banco homens que marcam golos decisivos, quer para a vitória, quer para o evitar de derrotas.
Não pretendo escamotear a realidade que me diz que em 6 jogos temos 4 pontos e é bem certo que a margem de manobra de Rachão cada vez está mais curta, mas também é certo que o agora treinador do campeão europeu, nos últimos 6 jogos ao serviço do Vitória apenas fez 6 pontos, e se nos recordarmos que também ao início do campeonato foi criticado, só me faz crescer a convicção que apesar de todos os seus defeitos e insuficiências para treinar o Vitória, Rachão vai ser o homem que levará, mais de 30 anos depois, o Vitória ao Jamor e ao fim do campeonato numa posição que faça jus ao excelente e inesquecível primeiro terço de campeonato.

No final e independentemente do que acontecer, sou de opinião que, para que não restem dúvidas, dever-se-à agradecer ao senhor Rachão pelos serviços prestados e preparar a próxima época com rigor, seriedade e competência apostando numa solução inovadora, percurssora e visionária.


O jogo foi considerado, de forma quase unânime, pela generalidade da imprensa, um agradável espectáculo. Pessoalmente, talvez devido à forma como se desenrolou o jogo, não o considerei assim. Pareceu-me que o VitóriaFC entrou confiante e determinado a pelo menos não perder a partida. Condicionado pelas alterações defensivas que obrigaram à estreia do central brasileiro Dione, de má memória diga-se, mas já com Jorginho e Bruno Moraes no onze depois das ausências forçadas da semana passada, o onze manteve a estrutura de 4 defesas, 3 jogadores de meio campo e três de características ofensivas ( Meyong, Jorginho e Moraes).

O ambiente vivido em Guimarães, como o Yekini bem o descreve e retrata é fantástico e só por si intimidante. Animado com a possibilidade, em caso de vitória, de ascender ao 6º lugar e impulsionado pela também vibrante e apaixonada massa adepta vimaranense, os comandados de Manuel Machado, fruto do maior ímpeto ofensivo no início aproveitaram para inaugurar o marcador, aos 16m, na sequência de uma jogada rápida pelo flanco esquerdo, aproveitando o adiantamento de Manuel José, que culminou com um remate colocado de Silva à entrada da área para o fundo da baliza do regressado Paulo Ribeiro.

Os de Setúbal reagiram bem, vieram para cima do adversário, e como quase sempre que o fazem, marcaram e empataram o jogo, oito minutos depois, por intermédio de Meyong, após fantástica jogada e assistência de Bruno Moraes.
O Vitória sadino acreditou, lutou, controlou o adversário e só por grande infortúnio não marcou, 10 minutos depois, quando Bruno Moraes, isolado na cara de Palatsi, com tempo para tudo, não teve a inspiração e o discernimento suficientes para converter no segundo do Vitória de Setúbal.
Com o jogo perfeitamente controlado e à beira do intervalo, já nos descontos, na sequência de um pontapé de canto, Silva aproveitou a desatenção defensiva de Binho, seu marcador directo e fez o 2-1 para o V. Guimarães, sentenciando, naquele momento, o vencedor da partida.

No segundo tempo José Rachão colocou em campo todas as soluções ofensivas de que dispunha, porém foram os da cidade berço que acabaram por fazer o 3-1 e proporcionar aos milhares ontem presentes no estádio um final de noite em festa.
O VitóriaFC nunca se rendeu e nunca baixou os braços, é verdade que quase sempre sem a eficácia e a aquidade que lhe reconhecemos, "...mas sempre com garra a lutar até ao fim...", que é o mínimo exigível comum para todos os vitorianos.
No final aplaudimos, recolhemos cachecóis e bandeiras e viemos para baixo a pensar no próximo jogo com o Benfica e agarrados às conveniências da estatística: não seria provável vencer Braga e Guimarães 3 vezes na mesma época, da mesma forma que, como todos esperamos, não é provável, nem habitual nas minhas memórias que o Benfica fique invicto no Bonfim por mais de 3 jogos consecutivos.

Eu, tal como o Cazé, companheiro de tantas e tantas jornadas, interlocutor de inúmeras e infindáveis discussões sobre a vida do nosso amor comum, apesar de, desta vez, discordar da sua análise, partilho das mesmas preocupações e como ele também espero e sei que no Sábado, teremos um Bom...Fim.

Saudações Vitorianas
Spry

domingo, março 13, 2005

Deslocação a Águeda coroada com a vitória




Via Site Oficial do Vitória, acaba de chegar a notícia da vitória da equipa de andebol frente à Académica de Águeda por 39-29.
Depois da pálida imagem que ficou do último jogo com o Águas Santas, esta Vitória relança o Vitória na luta pelas posições do grupo da frente, colocando-nos em igualdade pontual com o Ginásio do Sul, na 6ª posição, oponente no próximo Domingo da equipa vitoriana.

Uma partida que se adivinha emotiva e bem disputada, e onde se espera novamente uma excelente casa que transforme, novamente o Antoine Velge no conhecido Inferno.

Depois de no fim de semana passado termos assistido a duas derrotas das duas principais equipas do Vitória, esta vitória do andebol deixa adivinhar que a tristeza da semana passada, seja compensada com a dobradinha este Domingo... é só ganhar em Guimarães!!!

Bem o merecíamos.

Saudações Vitorianas
Spry