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Para ti, Jacinto João



O Vitória de Setúbal, enlutado pela morte do seu mais carismático e emblemático jogador de sempre, recebeu e venceu a noite passada o sua homónimo de Guimarães, por 1-0 e colocou o nome da cidade do rio azul no topo da classificação do campeonato português.

O público vitoriano acorreu em massa para fazer a última despedida ao maior ídolo de sempre do mundo vitoriano e ajudar a equipa a ganhar e a dedicar a liderança do campeonato, ainda que por uma semana, ao Príncipe da perna torta.
O minuto de silêncio transformou-se num sentido e emocionado explodir de aplausos, que pela última vez iam direitinhos para JJ, no mesmo estádio onde outrora rabiava e baralhava adversários, e encantava toda uma cidade e um país.

Com uma atmosfera e um ambiente fantásticos no Bonfim, o Vitória setubalense entrou decidido a fazer História e como nos tempos do JJ, jogou e encantou.
O Vitória realizou uma primeira parte de grande classe, demonstrando elevada personalidade, sendo que a primeira meia hora constituiu um verdadeiro vendaval de futebol ofensivo que não deixou o Guimarães respirar.

Com o mesmo onze de sempre, este Vitória de Zé Couceiro só não foi para o intervalo a ganhar por 2 ou 3 bolas de diferença por manifesta infelicidade e mérito para Palatsi. Jorginho esteve como quase sempre: genial. Foi um autêntico quebra-cabeças para os minhotos, que o massacraram com faltas feias, e por 2 oportunidades não marcou porque a bola saiu a rasar os postes.

Depois de uma primeira parte espectacular, que confirmou a excelente imagem que o Vitória tem deixado por esse país fora, os Vitórias jogaram uma segunda parte menos espectacular, mas mais viril, mais disputada e muito mais emotiva.

Depois da entrada de Marco Ferreira, muito assobiado no Bonfim, que trouxe alguma agressividade aos de Guimarães, ainda na primeira parte, José Couceiro apenas respondeu aos 65 com a saída de Éder e a entrada de Igor. E foi uma substituição que se revelaria acertadíssima, pois o brasileiro entrou, como já nos habituou, muito bem e foi decisivo no lance mais importante do jogo.

Quando os sócios do Vitória já desesperavam com o 0-0, com o relógio que teimava em correr e com os jogadores do Guimarães constantemente no chão, Igor vai à linha de fundo e salva uma bola que parecia perdida, centrando-a para a àrea onde um defesa a alivia para a frente, justamente para a zona onde aparece o franzino Ricardo Chaves, que pelo segundo jogo consecutivo, desfere um pontapé violento, desta feita com o pé canhoto ( o direito), com tal violência que o esférico só parou no fundo das malhas à guarda de Palatsi, depois de ainda ter batido num defesa.

O Bonfim quase que vinha a baixo. Os milhares que se deslocaram ao estádio explodiram de alegria e viam premiado e retribuído, o apoio e carinho que ao longo de 80 minutos transmitiam à sua equipa.
Diga-se que até final foi emoção a rodos, ora o Guimarães que bombeava bolas para a área sadina na esperança de ter sorte e que foi conquistando alguns cantos, ora o Vitória de Setúbal que desferia venenosos e quase letais contra ataques que Jorginho e Manuel José, escandalosamente não converteram.

Quando o ábitro Nuno Almeida apitou pela última vez, nas bancadas milhares abraçavam-se, vitoriavam os atletas e comemoraram um feito que não se via no Bonfim há mais de 30 anos. Desde os tempos de Jota Jota...

Na semana que antecede a primeira visita do Vitória à nova Luz, o primeiro lugar é sem dúvida uma bonita forma que o Vitória encontrou para homenagear o seu Rei.

Spry

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