domingo, fevereiro 20, 2005

Não há dois sem três

Pelas 16h00, em pleno dia de reflexão, sob um aconchegante sol de Inverno, Vitória de Setúbal e Moreirense, com 7 mil pessoas nas bancadas, davam início a mais uma partida do principal campeonato português de futebol.
José Rachão apostava tudo na primeira vitória ao serviço do Vitória. Mantendo o mesmo onze de Aveiro, foi um Vitória acutilante e incisivo aquele que deu início ao jogo.
Foi pois, sem surpresas que aos 7 minutos, Jorginho, bem lançado por Sandro, em mais um dos seus muitos rasgos de génio, desembaraçou-se do adversário, e junto à linha lateral desfere um precioso centro-remate com conta, peso e medida que só parou no fundo das malhas de João.
Ainda os adeptos não tinham acabado de se sentar, já Meyong aparecia na cara do guarda redes do Moreirense, com tempo para tudo, sem adversários por perto, foi de tal modo displicente e carecido de convicção que chutou contra o guarda redes e a bola subiu por cima da trave. Com razão, porque o adivinharam, os adeptos lamentavam-se por tamanha lanzice do camaronês, que teima em continuar a desperdiçar golos feitos que depois acabam por vir a fazer falta.
Bem dito, bem certo e fruto de alguma superioridade territorial que então conquistara, o Moreirense 10 minutos depois, por intermédio de um pontapé de canto restabelecia a igualdade.

Os sadinos acusaram o toque, e conscientes da sua inquestionável superior qualidade, vieram novamente para cima do adversário e com naturalidade 4 minutos depois, voltavam à liderança do marcador. Novamente Jorginho a livrar-se do seu oponente com um notável nó cego, e depois com precisão de relojoeiro, cruzou de pé esquerdo para o coração da área onde apareceu, imponente e autoritário, Bruno Moraes a cabecear para o golo, para gáudio dos milhares que ontem foram ao Bonfim.
Ao intervalo a vantagem dos visitados espelhava o sucedido até então.

A segunda parte foi má. Bola para a frente e fé em Deus, não pode ser a estratégia a adoptar por nenhuma equipa do Vitória, muito menos por esta, que já mostrou por bastas vezes que tem capacidade, talento e categoria para lutar pelos lugares cimeiros praticando futebol de grande qualidade.

Costuma dizer-se, após uma chicotada psicológica, que os primeiros dois jogos continuam a ser reflexo do anterior treinador e só a partir daí se começarão a notar nas equipas as orientações e o trabalho do recém chegado.
Temo, embora ainda não o conceda, que este típico pensar de treinador de bancada, se esteja a encaixar que nem uma luva ao que está acontecer no Vitória. É de certa forma preocupante, porque está chegada a hora de o trabalho do novo treinador ter reflexos no desempenho da equipa e aquilo que vimos ontem coincide com aquilo que os críticos da contratação de Rachão adivinhavam: futebol baseado na fézada, no jogo do pirolito, pontapé para a frente e fé em Deus. Oxalá em Coimbra me veja obrigado a corrigir estas palavras, acredito que sim, até porque, e verdade seja dita, nos jogos da primeira volta contra estes três últimos adversários Couceiro empatou 2 e perdeu um.


Quem joga para defender resultados normalmente dá-se mal, foi isso que aconteceu com o Vitória que viu aos 22 minutos da segunda parte o Moreirense repor a igualdade no marcador. O Vitória, então já sem forças, sem discernimento, limitou-se a despejar bolas para o meio campo adversário e conseguiu ainda enviar, por intermédio de Ricardo Chaves uma bola à trave da baliza de João.

Um resultado que, creio, não agradou a ninguém no Bonfim e que volta a atrasar a possibilidade de assegurar matematicamente a permanência. Ainda não será para a semana que será assumido o objectivo europeu, mas se rachão emendar a mão e revir conceitos, estou certo que daqui por quinze dias no Bonfim, após a recepção ao Braga para o campeonato, estaremos todos de largos sorrisos nas bancadas, já com os pés nas meias da Taça, com a permanência assegurada e com todas as nosas forças e baterias canalizadas para a luta por um lugar nas competições europeias do próximo ano.

Saudações Vitorianas
Spry

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