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Histórias do Bonfim I

Corria a época 93/94 e chegada a 10ª jornada cabe ao Benfica deslocar-se ao Bonfim, para defrontar o novel primodivisioná¡rio Vitória de Setúbal. O Benfica até então ainda não tinha sido derrotado e colecionava 6 vitórias e 3 empates e vinha de uma vitória esclarecedora na Luz frente ao Salgueiros por uns claros 4 golos a 1. O Vitória tinha um score de 1 vitória (Estoril em casa), 1 empate (na Amadora) e 7 derrotas encontrando-se na última posição da tabela. Esta tarde iria ser um marco para o desenrolar de toda a época.

Raul Águas (treinador do Vitória na altura) percebe que este jogo poderia ser um estimulo para o resto do campeonato e faz alinhar uma equipa extremamente ofensiva onde pontificava o triângulo Sérgio Araujo, Chiquinho Conde e Yekini. Sérgio Araújo, estreava-se com a camisola do Vitória, contratação tardia, mas que viria a revelar-se de extrema importância. O Benfica treinado por Toni esquece-se da tradição de jogos dificí­limos no Bonfim e vai ao Bonfim jogar taco a taco com o Vitória, fazendo alinhar no miolo João Pinto (porventura na sua melhor forma de sempre) e Rui Costa já então uma certeza.

Nessa bela tarde de sol, em jogo arbitado por José Pratas, e com Carlos Matos como bandeirinha do lado da bancada do sol, as equipas sobem ao Bonfim escalonadas da seguinte forma:

Vitória
José Carlos, Figueiredo, Elisio, Quim e Rui Carlos, Eric Tinkler, Hélio e Paulo Gomes, Sérgio Araujo, Yekini e Chiquinho Conde.

Benfica
Neno, Abel Xavier, Mozer, Hélder e Veloso, Vitor Paneira, Schwarz e Rui Costa, João Pinto, Isaias e Iuran.

O jogo inicia-se e logo no 1º minuto José Pratas mostra cartão amarelo a Rui Carlos, deixando antever que o Vitória iria ter mais um obstáculo para levar de vencida a armada Benfiquista.
Os vitorianos não se deixam intimidar, pegam no jogo e empurram o Benfica para o seu meio campo. Corria o minuto 20 e Yekini faz o primeiro grande aviso a Neno. José Carlos intercepta a bola num canto e de imediato a entrega, à saída da área a Yekini, que corre 60 metros com a bola no pés, tem Hélder e Mozer pela frente, mete a bola a correr para o lado de Hélder, ultrapassa-o e remata à base do poste da baliza encarnada.
E é sem surpresas que aos 29 minutos por intermédio de Rashid Yekini, internacional nigeriano que viria a ser o melhor marcador deste campeonato, o Vitória inaugura o marcador. Toni no banco não reage e é com naturalidade que surge o 2º golo, 9 minutos depois por Sérgio Araujo. Uma estreia em grande.Intervalo.

No intervalo Toni deixa nos balneários Abel Xavier que tinha sido incapaz de travar Paulo Gomes, e mete em campo Ailton, alargando a frente de ataque.
Pior a emenda que o soneto pois logo aos 52 minutos Paulo Gomes faz o 3-0 e deixa em delirio as hostes vitorianos fazendo prever que nada nessa tarde nada iria fazer travar a traineira vitoriana. Ao minuto 59, Raul Águas mercê da pressão de não poder deixar fugir esta vitória, faz sair Sérgio Araujo e faz entrar um tanque para o meio campo de seu nome Sessay.
Com esta alteração o poderio ofensivo do Vitória diminui e é com alguma naturalidade que o Benfica cresce e reduz primeiro aos 62 minutos por Vitor Paneira e depois aos 67 por Ailton. O Bonfim fica por segundos em silêncio, mas os sócios reagem e com as suas vozez em coro gritando "VITÓRIA, VITÓRIA, VITÓRIA" empurram a equipa para a frente.
Minuto 73, Yekini aguenta cargas sucessivas de Mozer e Hélder, chuta e faz o golo batendo Neno pela quarta vez. Belo golo de Yekini que acaba de uma vez por todas com a resistência benfiquista. Ao minuto 82 vai surgir o golo de Chiquinho Conde, merecido, suado, que minutos depois viria a ser substituido por Rosário e recebe a ovação da tarde, personalizando ele o esforço e a labuta de toda equipa para colocar na história esta bonita e solarenga tarde de futebol no Bonfim.

O Benfica (que viria a ser campeão nessa época) sai vergado do Bonfim com uma pesada derrota por 5-2, e eu a partir daí­ posso dizer que um dia vi o meu VITÓRIA golear o Benfica.
Alisson

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