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No debate de lançamento da revista catalã L'Avenç, uma publicação de História, Jaume Sobrequés, director do F.C Barcelona, agitou o debate com uma reflexão acerca das milionárias audiências televisivas dos jogos de futebol e as tendencias mercantilistas para as quais apontavam as sociedades anónimas desportivas. " Correndo o risco de estar a proferir uma heresia, direi que é possível que se venha a acabar por fazer encontros à porta fechada. Se as sociedades anónimas impedem já que os presidentes dos clubes sejam eleitos pelos sócios e se tende a um funcionamento totalmente empresaria. Será mantida a actual relação mística entre os sócios e os clubes?" Perguntava. Estávamos então no ano de 1997.

A resposta ao senhor Sobrequés, nesse debate, foi dada por um senhor da literatura mundial, " o ícone intelectual da Espanha democrática" como titulava hoje o " El País", Manuel Vásquez Montalbán, falecido na passada Sexta Feira: " Espero que no dia que se produza essa mudança me avisem, para me mudar para o nãoteirrites. O futebol interessa-me porque é uma religião benévola que provocou muito poucos danos. Existirá futebol enquanto as pessoas acreditarem num clube e numas cores como sinais de identidade numa sociedade na qual faltam cada vez mais referencias".

Sem Montalbán as letras espanholas ficaram mais pobres. O futebol perdeu um dos seus mais devotos fiéis e um dos seus mais brilhantes analistas.

Eu, mesmo depois de um Sábado aziago, continuo a rever-me num clube e numas cores. E seja lá onde for e quando for, sempre que o Vitória entrar em campo jamais se fará um jogo sem adeptos e sem fiéis.
Spry

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