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" O caso Saltillo" Parte XII

A derradeira jornada tinha deixado tudo por decidir, tudo podia acontecer. Até o empate a duas bolas entre Portugal e Marrocos poderia qualificar ambas as equipas. José Faria, brasileiro, seleccionador marroquino na altura fez chegar, dias antes do jogo, um fax a José Torres, mencionando-lhe estar tão entusiasmado com a possibilidade de pela primeira vez uma equipa africana se qualificar para a segunda fase, que propunha o empate a dois, de forma a garantir às duas equipas a passagem à 2ª fase.
Torres, ironicamente, responderia apenas: " Está bem e nós somos os primeiros a marcar dois golos..."

O jogo foi em Guadalajara. O avião da comitiva lusa teve um atraso de várias horas, a viagem foi feita de noite e o cansaço e a fadiga acumulada pelos jogadores foi demasiado desgastante. A viagem, como decerto o postador eugenio recordará com arrepios, foi assustadora, com uma violenta trovoada e constantes relâmpagos a "iluminarem" a viagem.

O treino da véspera do jogo decisivo foi, segundo Vítor Serpa, sem entusiasmo, quiçá por cansaço, quiçá por desleixo, quiçá pelo peso nas pernas da intensidade do longo estágio, quiçá por tudo isto.

O jogo viria a confirmar os piores receios.
Sob arbitragem do senhor Alan Snoody da Irlanda do Norte as equipas alinharam:

Portugal----------------------------Marrocos

Damas------------------------------Zaki
Álvaro ( Águas,53)-------------------------------Labd
Frederico---------------------------Bouyahiaoui
Oliveira----------------------------El Byaz
Inácio------------------------------Lamris
Jaime Magalhães-----------------Dolmy
Futre--------------------------------Khairi
Carlos Manuel--------------------Krimau
Jaime Pacheco------------------Timoumi
Sousa ( Diamantino,68--------El Haddoui
Gomes ----------------------------Aziz

Os nossos carrascos foram Khairi, por 2 vezes e Krimau. Diamantino, com o resultado em três a zero, como não podia deixar de ser, acabou em beleza. Um chapéu maravilhoso, um golo notável, um pormenor técnico apenas ao alcance dos mágicos, que não valeu de nada, que poucos hoje recordarão e que a mim, então com 8 anos, me baralhou. Como era possível depois do jogo contra a Inglaterra, com Marrocos à mão de semear e com intérpretes capazes de fazer chapéus como o do " rato cego" não passar à fase dos jogos a doer. Foi a minha primeira grande desilusão com a Selecção Nacional.
E foi talvez a partir de então que comecei a entender o significado da palavra fado.

" A Bola" titulava " Adios Mexico".

A lista negra da Selecção já estava a ser elaborada por Silva Resende e seus compinchas. Foi decidido que no futuro o seleccionador não será um treinador. Torres, triste e inconsolável exclama: " Nunca mais ninguém me chamou 'Bom Gigante' "

E foi assim, sem glória, depois de tudo o ocorrido, que viria a terminar a saga mexicana. Eliminados aos pés de Marrocos depois de dobrarmos a poderosa Inglaterra. O fado português tem sido feito destas pequenas bizarrarias e não é apenas na Selecção Nacional que se notam estes fenómenos. A nossa sociedade está infestada, com as devidas adaptações destes sinais, não sendo a Selecção senão mais do que o reflexo do que somos como país e como povo.

Sou de opinião que o que se terá pasado no Mundial do Oriente reflecte ainda alguns dos defeitos e das asneiras de Saltillo, mas como fiel do futebol e dos símbolos por mim adoptados para aderir a esta religião, estou convicto de que o espaço de uma geração será suficiente para alterar muito do actual estado de coisas na sociedade portuguesa, futebol incluído.
Spry

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