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" O caso Saltillo" Parte VII

Até esta parte da história, adaptação do treinador de bancada a partir dos cadernos da Bola da " História dos 50 anos do desporto português" , poucos ou nenhuns dos habituais leitores do nosso "treino" guardarão memória ou recordações dos ecos de tais histórias mirabolantes no estágio da Selecção.
O que todos associamos quase instantaneamente quando ouvimos falar em Saltillo é a greve dos jogadores.

Entremos então nesse capítulo.
À parte os problemas técnicos, logísticos e sexuais da comitiva, outro problema tinha ficado por resolver, ao que parece, em Lisboa: a questão dos prémios de jogo. O que se terá passado em Lisboa, segundo fontes que creio fidedignas, foi que a FPF pura e simplesmente impôs aos atletas, ou melhor informou-os quais os prémios que se atribuiriam. E que são:
-Campeões do Mundo- 7 mil contos por jogador
-Prémio de Presença por jogo- 300 contos
-Não Qualificação- Os jogadores ainda teriam de pagar do bolso deles.
A diária era de 4 contos.
Os jogadores nunca aceitaram aquilo que sempre consideraram uma proposta e, ao que parece, as coisas ficaram de ser acertadas no México.
Quando a questão no México foi levantada os dirigentes simplesmente disseram que já não havia nada para combinar, que era uma chantagem que os jogadores agora se teriam lembrado de fazer.
Conhecendo eu de antemão os tiques fascizóides e o fascínio pelos tempos da outra Senhora, do então Presidente da Federação e nada me surpreende que Silva Resende tenha ditatorialmente imposto esta tabela aos jogadores e pura e simplesmente ignorar toda e qualquer reivindicação da parte destes.

O descontentamento e as reivindicações vão crescendo, com um balneário políticamente interventivo, com muitos jogadores oriundos de zonas periféricas, industriais, habituados a conviver e a respirar o movimento sindical, as coisas cada vez mais escapam ao controlo do " Bom Gigante", cada vez mais angustiado com o desenrolar dos acontecimentos. Quanto mais os dirigentes procuravam desdramatizar a situação, mais os jogadores pareciam dar importância ao tema, tudo isto perante o olhar atento dos jornalistas que "habitavam" o mesmo hotel.

No fim de Maio o País depara-se com o facto consumado. Aquilo que até então não passava de rumores, zum zuns, era agora a realidade.
Manuel Bento convocava os jornalistas para lhes dar conta das reivindicações dos atletas, caso contrário recusar-se-iam a participar no treino contra os amadores Tigres de Monterrey. A greve paira.
O comunicado é assinado pelos 22 futebolistas e as reivindicações são_
-Aumento dos montantes das diárias, de 4 para 7 contos;
-Aumento dos prémios de presença, de 300 para 700 contos;
-Participação nas receitas de publicidade;
-Assegurar o cartão vitalício da FPF para cada jogador. ( A dúvida ficou-me: a que raio dará direito tal cartão? Quem souber diga qualquer coisa)
Spry

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